O POST

Depois do Bruno contar da gravidez pra Deus e o mundo, postei no Instagram, para vencer o ódio do meu marido e conseguir seguir em frente.


O POST

Antes de contar que eu estou grávida (de novo), eu queria contar que perdi um neném em maio.

Acredito que fechar esse ciclo vai ser importante pra eu enfim curtir essa nova loucura.



Dia 02 de maio, descobrimos que estávamos GRÁVIDOS. Vinha aí um filhote de Marx com Budah. O Grande Stuckert. Contamos pra vários amigos pra dar alguma boa notícia no meio dessa quarentena.


Só 6 dias depois, veio um sangramento sem fim. Nem fomos ao hospital. Bola pra frente. Foi a primeira tentativa. NÃO VAI TER NENÉM.


Fizemos a entrega das doações na ocupação do CCBB e voltei com a alma lavada e o coração quentinho.


No dia seguinte era DIA DAS MÃES. E lá se foram um milhão de mensagens não respondidas (perdoem, meus amigos), poucas lágrimas e um coração congelando pra sobreviver.


Depois da consulta com a obstetra, fizemos um novo exame e descobrimos que os hormônios continuavam subindo.


Eu era A GRÁVIDA DE SCHORINDGER. Ao mesmo tempo gestante e não gestante. Descobrimos uma GRAVIDEZ ECTÓPICA. O embrião insistente continuava se desenvolvendo, mas no lugar errado.


Mas não podia ser uma ectópica comum, tinha que ser uma GRAVIDEZ ECTÓPICA CERVICAL. Das mais raras. Das mais loucas. Das mais tristes. (Não procure no Google. É triste mesmo.)


Graças as deusas da natureza, a Cinthia, minha irmã e anja de asa, chegou na história e eu só precisava seguir a voz pragmática e salvadora dela.


No dia 15, fizemos o procedimento mais triste da minha existência. Sem sedação, ouvi as frases mais duras, vindas das bocas mais carinhosas que preservavam a minha vida.


Por sorte, o meu coração já estava uma pedra completa, mas senti ele parando também junto com o dele.


Uma dose de químio e uma semana depois, UM NOVO SANGRAMENTO. Que virou uma hemorragia e acabou levando a uma INTERNAÇÃO e uma transfusão. (DOEM SANGUE NA PANDEMIA!)


Isolados na casa dos meus pais, me alimentaram de feijão com limão, fígado e açaí até a anemia passar.


Passei 6 dias grávida e 3 meses perdendo um neném.


Não me lembro de muita coisa desses dias eternos.


Estava dormente. Um zumbi.

Vazia. Ressecada. Ressentida.


Com o tempo, meu corpo voltou ao estado natural.


Meu coração jamais voltará.

Posts Relacionados

Ver tudo